Alunos de medicina fazem foto com calças abaixadas e faculdade abre sindicância

Alunos de medicina fazem foto com calças abaixadas e faculdade abre sindicância

Uma sindicância será aberta pela Universidade de Vila Velha (UVV) para apurar a postura de alunos de medicina que aparecem em uma foto publicada nas redes sociais vestindo jaleco, com as calças abaixadas até os tornozelos e fazendo um gesto com as mãos, que remete à genitália feminina. O caso foi denunciado pelo Sindicato os Médicos do Espírito Santo (Simes) ao Conselho Regional de Medicina (CRM-ES), mas como os envolvidos ainda são alunos, cabe à universidade apurar o caso.

Ainda não foram explicados os motivos que levaram os universitários a fazerem e publicarem essas fotos pois a reportagem ainda não conseguiu contato com eles por intermédio da universidade.

O G1 teve acesso às imagens e uma delas foi publicada no perfil de uma rede social de um dos alunos. Na legenda, ele escreveu “#PintosNervosos”.

Outro estudante escreveu “Finalizando o dia de fotos”, o que sugere que as imagens foram feitas na ocasião em que a turma se reuniu para a sessão de fotos para os convites de formatura.

A Universidade de Vila Velha disse, em nota, que “repudia qualquer tipo de ofensa a uma profissão tão importante e fundamental como a medicina”.

Ainda segundo a instituição, será instaurada uma comissão de sindicância para apuração dos fatos e responsabilização daqueles que tenham transgredido as normas e códigos de ética que regulamentam as ações dos alunos. Caso seja identificada alguma transgressão ao Código de Ética da Universidade, eles poderão ser punidos com advertência verbal, suspensão ou desligamento.

“Deixamos claro que os atos dos alunos foram iniciativas pessoais e em desacordo com orientações que recebem dos professores e coordenadores da instituição”, diz a nota enviada à imprensa.

Sindicato e Conselho

O presidente Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e do Simes e vice-presidente da Confederação Nacional dos Médicos (CNM), Otto Baptista, reprovou a postura dos alunos.

“Qualquer formando tem o direito de fazer suas manifestações, suas festas, até de uma forma irreverente. Mas essa irreverência não pode passar a ser um atentado contra a dignidade do médico. Se foi brincadeira, foi de mau gosto, e extremamente comprometedora, com repercussões éticas. Isso é uma coisa muito séria”, disse Otto.

O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) disse que se reuniu com a coordenação do curso de medicina da UVV e que ficou definido que a instituição de ensino aplicará punição compatível com ocorrido.

Ainda segundo o CRM, será marcada “uma reunião nesta terça-feira (11), com todos os alunos do curso, principalmente com os envolvidos, para que o CRM-ES esclareça sobre a seriedade do caso e o flagrante desrespeito à ética profissional”.

O Conselho explicou que, se os envolvidos fossem médicos, mesmo que recém-formados, caberia ao Conselho abrir sindicância e um consequente Processo Ético Profissional, cuja punição varia de advertência à cassação do registro de médico.

O CRM-ES disse, ainda, que “tem adotado ações administrativas, por meio de palestras, para orientar médicos e estudantes sobre a ética profissional. Durante o ano, conselheiros vão às faculdades para alertar sobre a importância da boa postura profissional e, inclusive, realizam julgamentos simulados para mostrar aos recém-formados e futuros médicos a importância da boa prática médica e as ações do Conselho de Medicina”.

Repercussão

Nas redes sociais, a repercussão das fotos também foi negativa. “Não entendi que em oito cabeças pensantes (supondo que alguém bateu a foto) nenhuma pensou que isso não é legal, que isso não é engraçado”, escreveu uma internauta.

“Achei absurdo e revoltante! Estou na dúvida se me sinto mais desrespeitada como médica ou como mulher!”, disse outra internauta.

Outra usuária disse não acreditar em uma punição para os envolvidos. “A punição que se espera dificilmente acontecerá, creio. O ideal seria ter a lista de nomes dos envolvidos, para que o maior número de mulheres pudesse evitar consultas com esse tipo de ‘profissional’”, escreveu.

Fonte: G1

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