Salicórnia, o sal verde

Salicórnia, o sal verde

A salicórnia, também conhecida como sal verde ou espargos do mar, é uma planta que substitui o sal. Antigamente, era vista como uma erva daninha, mas agora é usada em pratos gourmet.

Em Portugal, a salicórnia cresce naturalmente nas salinas da ria Formosa e da ria de Aveiro.
No Brasil, é encontrada em regiões litorâneas de Santa Catarina e já se fala em  alternativa saudável para o vilão da pressão alta, o sal de cozinha. Ao contrário do tempero utilizado hoje, o sal verde – pó extraído da espécie Sarcocornia ambigua – tem três vezes menos cloreto de sódio, além de evitar o envelhecimento das células, combater o colesterol e até alguns tumores. Pesquisadores da Epagri e da Universidade Federal de Santa Catarina estudam a viabilidade econômica da planta e como produzir em escala

A Salicórnia pode ser usada em várias receitas, para temperar pratos e saladas, no arroz, em pickles e para aromatizar o azeite.

Em Santa Catarina, a planta foi descoberta há quase 10 anos pela bióloga e fitoterapeuta Cecilia Cipriano Osaida e pelo pesquisador da Epagri na época, agora aposentado, Amaury Silva Júnior.

— Sempre fazíamos expedição para coleta de material. Quando estávamos caminhando na praia, a planta chamou atenção, porque parecia um cáctus, mas estava na água — relembra a fitoterapeuta.

A planta foi localizada no Bairro Barra do Aririú, em Palhoça, na Grande Florianópolis, porém devido a aterramentos e degradação, encontra-se quase em extinção na área. Porém há registros da espécie em São Francisco do Sul e Rio Grande do Sul, o que levanta a hipótese de que ela está presente em toda o litoral, o que será verificado em pesquisa futura da Epagri.

 

Segundo a bióloga, o fato da planta estar presente em região de transição entre mangue e mar pode explicar o sabor salgado do pó extraído da planta.

— Agora o próximo passo é o protocolo de cultivo. Já pensou usar um sal que baixa ao invés de aumentar a pressão arterial? É isso que o sal verde faz — explica Cecilia.

Alexandre Visconti, pesquisador do projeto Flora Catarinense da Estação Experimental da Epagri em Itajaí, afirma que já foram feitas análises químicas da planta e se mostraram muito promissoras, principalmente pela menor concentração de sódio e concentração de potássio. Porém o grande desafio é como e onde plantar a espécie para ter volume suficiente para atender uma escala comercial e então chegar ao mercado:

— Temos um projeto, orçado em R$ 300 mil, que prevê produzir em áreas onde eram cultivados camarões. Então temos que ver se o sistema de produção mantém as características da planta. O que está faltando mesmo é a equipe de trabalho, ainda sem previsão, pois dependemos de concurso público — explica.

Os estudos, que devem durar até três anos, ainda não têm data para iniciar.


Alexandre Visconti com a planta na Estação Experimental da Epagri em Itajaí. Foto: Marcos Porto/ Agência RBS

 

O uso no dia a dia da substância

Embora não saiba precisar quanto custaria para o consumidor final o primeiro sal de origem vegetal produzido no Brasil, o pesquisador da Epagri, Alexandre Visconti, afirma que “com certeza seria mais caro que o sal comum”. Na Europa e em países como México e Kuwait, a planta, que é de outra espécie, é comercializada como tempero, salada, cosméticos, óleo essencial, porém custa caro. O sal cristalizado chega a ser comercializado por oito euros (cerca de R$ 29) a grama.

A empresa Dynabras Biossistemas, com sede em São Paulo (SP), trabalha com produtos naturais e firmou convênio com a Epagri para produção industrial do sal verde. A ideia é vendê-lo cristalizado também. Para isso, aguardam a conclusão dos estudos do órgão. Depois dessa etapa, a expectativa é investir cerca de R$ 1,5 milhão em uma fábrica em Santa Catarina.


O pesquisador Walter Seiffert (E) e o mestrando Joaquim da Rocha. Foto: Diorgenes Pandini / Agência RBS

 

Salada turca de salicórnia (vídeo em inglês)

 

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