Há menos 400 milhões de aves na Europa do que havia em 1980

Há menos 400 milhões de aves na Europa do que havia em 1980

Houve um declínio “alarmante” no número de aves no continente europeu, diz um estudo realizado por cientistas do Reino Unido e da República Checa. Os investigadores calcularam que existem, hoje em dia, menos 421 milhões de aves em 25 países europeus do que havia no início dos anos 80.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Ecology Letters, existiam, em 1980, cerca de 2,06 mil milhões de aves das 144 espécies mais comuns na Europa. Em 2009 (o último ano estudado), este número tinha caído para 1,64 mil milhões, verificando-se assim um declínio de 20% ou de 421 milhões de pássaros.

“90% desse declínio pode ser atribuído às 36 espécies mais comuns”, disse Richard Inger, autor do estudo e ecólogo da Universidade de Exeter, ao The Washington Post. Destas, as cinco espécies com os maiores declínios foram o pardal-comum, o estorninho-malhado, a laverca, a felosa-musical e o pardal-montês.

De fato, os cientistas descobriram que as populações de várias espécies mais raras ou ameaçadas estavam a recuperar, o que se poderá dever, em parte, ao sucesso dos esforços de conservação.


Declínio do número de aves europeias de 1980 a 2009 (Richard Inger)

A perda das aves comuns, advertem eles, pode ter consequências dramáticas, uma vez que, graças aos seus grandes números, desempenham papéis críticos nos ecossistemas, como, por exemplo, no controlo de pragas. O fato de os declínios se verificarem nas espécies comuns, explicam os autores, aumenta a probabilidade de que sejam indicadores de degradação ambiental. “As espécies comuns estão presentes um pouco por toda a parte e os seus números estão ligados à deterioração da qualidade do ambiente”, escreveram.

Por trás destes declínios estão, entre outros fatores, a perda e a fragmentação de habitat, causadas pela expansão da agricultura e a urbanização. “É um pouco como um grito de alerta, na verdade, de que precisamos de começar a tentar descobrir o que está a causar estes declínios, para que possamos examinar formas de os travar e esperar revertê-los”, disse Richard Inger.

 

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