O “couro ecológico” não é ecológico

O “couro ecológico” não é ecológico

Hoje em dia, se fala muito em “couro ecológico” não sintético como uma alternativa sustentável e consciente, já que o processo de produção desse material, diferente da tradicional indústria de couro, envolve o uso de produtos químicos menos agressivos, além de demandar menor quantidade de água e energia elétrica. Tudo isso fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem, contribuindo com o meio ambiente, ao comprar esse tipo de produto.

Porém, o “couro ecológico” também é de origem animal, e todo o processo até a retirada do couro é praticamente o mesmo de uma indústria convencional. Sim, seres que vivia como nós, têm suas peles arrancadas, e, dependendo da espécie animal, somente para atender a demanda da indústria de vestuário e acessórios. Até porque nem todos os animais são relevantes para a indústria alimentícia.

Defensores do “couro ecológico” não sintético, dizem que ele é amigo da sustentabilidade, já que não é curtido, por exemplo, com metais pesados como o cromo, que é extremamente poluente. Contudo, pensando somente por esse lado, incorremos no erro de ignorar fatos importantes. Também há impacto ambiental na criação de animais explorados com essa finalidade, já que eles demandam área, água e precisam ser alimentados.

Produzindo esse “couro ecológico” também incentivamos a morte de animais por um capricho, por um desnecessário apego estético. Além disso, há muitas opções de couro sintético a partir das mais diferentes matérias-primas, inclusive derivado de resíduos do vinho.

Alguém pode alegar que não é a mesma coisa. Independente da veracidade disso, não seria um prazer mórbido ter a oportunidade de não usar algo proveniente do cadáver de um animal e ainda assim insistir em fazê-lo? Sabendo que quando compramos couro, seja tradicional ou “ecológico”, também financiamos a morte de animais.

Mesmo quando o couro é apenas um subproduto, ele estimula diversas cadeias industriais que envolvem a exploração animal, até porque quanto maior as possibilidades de lucro, maiores são os níveis de exploração de uma espécie. Sendo assim, mesmo quem não come carne, por exemplo, mas não abre mão do uso de couro de boi, seja “ecológico” ou não, também financia privação, sofrimento e a morte não natural de animais nos matadouros.

Fonte: David Arioch

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