Sofrimento de galinhas exploradas em granjas denuncia a falácia dos ovos orgânicos

Sofrimento de galinhas exploradas em granjas denuncia a falácia dos ovos orgânicos

“Todo o processo é orgânico”, diz Greg Herbruck, presidente da Herbruck’s Poultry Ranch em um vídeo promocional.

Os detalhes da operação não estão publicamente disponíveis. Porém, ele recusou o pedido de um repórter do Washington Post para uma visita, alegando que o jornalista poderia infectar os animais com doenças, como a gripe aviária.

Galinhas exploradas em granja

De acordo com as pessoas familiarizadas com a operação, assim como um plano de construção, cada um dos nove celeiros retangulares em Herbruck possui cerca de 180 mil aves, ou mais de três galinhas por pé quadrado, segundo fontes, que preferiram o anonimato porque não foram autorizadas a falar em nome da empresa.

Elas informaram que nenhuma das aves tem permissão para ficar ao ar livre ainda que o regulamento referente à produção orgânica proíba o “confinamento total contínuo de qualquer animal dentro de espaços internos”.

Os animais deveriam ter ao menos a chance de manifestar um comportamento mais próximo do natural e, para galinhas, isso significa procurar por alimento no chão, tomar banho de poeira e até fazer voos curtos.

O USDA permite que a Herbruck e outras grandes operações vendam seus ovos como orgânicos porque as autoridades interpretaram a palavra “ao ar livre” de uma forma que as granjas que aprisionam galinhas em celeiros, mas adicionam “varandas” são consideradas elegíveis para o rótulo “USDA Orgânico”. Essas “varandas” são tipicamente áreas muradas com um telhado, pisos rígidos e rastreamento.

Quanto à forma como as galinhas exploradas devem viver, o órgão não estabelece um espaço mínimo por ave. Para aumentar o espaço dentro dos galinheiros da Herbruck, que contêm 56 mil pés quadrados e possuem cerca de 20 pés de altura, a empresa instalou quatro níveis de prateleiras metálicas, conhecidas como “aviários”.

Para piorar, Herbruck alegou que “as prateleiras agregam espaço para as aves”. Ele se recusou a dizer o espaço oferecido e não contestou os relatórios do Post sobre o enorme número de galinhas e o estreito tamanho dos celeiros.

O significado exato do rótulo orgânico USDA em uma caixa de ovos é pouco claro.

Algumas das grandes empresas de ovos – como Herbruck’s; Kreher’s em Clarence e uma grande instalação do Kansas operada pela Cal-Maine, mantêm as galinhas em celeiros com “varandas” para cumprir os regulamentos orgânicos, de acordo com fotografias, documentos e entrevistas com inspetores e especialistas da indústria.

Como os ovos dessas grandes operações podem ser vendidos com os nomes de várias marcas de lojas diferentes, é difícil para os consumidores saberem onde os denominados “orgânicos” são produzidos.

Dentro do programa USDA Organic, até mesmo as agências de inspeção que certificam fazendas orgânicas não concordam em considerar as galinhas confinadas em celeiros com varandas como “orgânicas”.

Algumas agências, como a California Certified Organic Farmers, uma das maiores, se recusam a certificar essas operações como “USDA Orgânico”.

Entretanto, outras agências de inspeção permitem que as operações agrícolas limitem suas galinhas aos celeiros.

Como os fazendeiros selecionam sua própria agência de inspeção, aqueles que querem manter as galinhas confinadas precisam apenas contratar uma das agências mais lenientes.

A Herbruck’s, por exemplo, recebe o status de USDA Orgânico por uma agência de inspeção conhecida como Quality Assurance International. Tracy Favre, uma funcionária da QAI, não disse diretamente o porquê de as granjas com varandas serem autorizadas.

“A QAI toma sua decisão de acordo com os regulamentos, políticas e orientação do Programa Nacional Orgânico”, disse ela em um comunicado.

Em 2011, o Conselho Nacional de Padrões Orgânicos do USDA votou por unanimidade para classificar as varandas em estufas como “interiores” e não como espaços externos. O conselho disse que cada ave deveria ter pelo menos 1,5 metro quadrado de espaço interno e dois pés quadrados de espaço ao ar livre.

O acesso ao exterior “é um princípio básico da produção orgânica”, disse a recomendação do conselho.

Uma das maiores produtoras de ovos "orgânicos" dos EUA

Porém, as objeções de algumas das maiores operações de ovos – incluindo a Herbruck – parecem ter barrado a proposta. Os grupos agrícolas que representam grandes empresas convencionais também se manifestaram contra esses requisitos.

A senadora Debbie Stabenow, de Michigan, e o presidente do Comitê de Agricultura do Senado, Pat Roberts, do Kansas, onde se localizam as grandes instalações da Cal-Maine, expressaram suas preocupações sobre uma proposta com uma regra mais severa.

O principal argumento para confinar as aves nas varandas é a reivindicação, alegada por Herbruck, de que manter as galinhas assim as “protege contra predadores e doenças”.

Além de ser absurdo tentar justificar essa crueldade com os animais vítimas dos caprichos humanos, pesquisas realizadas pelo USDA apontam o contrário. Elas mostram que as taxas de mortalidade nas fazendas denominadas orgânicas, a maioria das quais deixam as galinhas ficarem em ambientes externos, são menores do que as das granjas convencionais, onde as aves são largamente confinadas aos celeiros.

Um estudo de 2013 do USDA em granjas em 19 estados com pelo menos três mil galinhas mostrou que a taxa de mortalidade média foi de 7% em operações denominadas orgânicas e 10% em operações convencionais.

Independentemente das condições em que as galinhas são mantidas, vale ressaltar que essas são medidas paliativas que não combatem o consumo de produtos de origem animal, que causa o sofrimento e a morte de bilhões de seres inocentes em todo o mundo.

Fonte: Anda

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